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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Saudade e Lembrança....





Saudade e Lembrança
Podem parecer sinônimos. 
Ideia igual, mas diferente no sentir.
Lembrança é da Memória, 
Saudade é da Alma. 
Muitas lembranças, poucas saudades. 
Lembranças surgem com um cheiro,
uma música, uma palavra... 
Saudade surge sozinha, emerge do 
fundo do peito onde é guardada com carinho. 
Lembrança pode ser boa, mas quando não é,
pode-se afastá-la convocando
outra lembrança ou convocando
outro pensamento para o lugar,
ligando a TV ou lendo o jornal.

Saudade é sempre boa, mesmo quando dói,
e não se apaga mesmo que outra pessoa
tente ocupar o lugar vazio.
Ela pode coexistir com um novo amor,
sem machucá-lo.

Lembrança é de algo real, de um lugar,
de uma época, uma pessoa.
Saudade pode ser do que não houve,
de uma possibilidade, de lábios jamais tocados.

Lembrança pode ser contada, medida,
localizada, e com algum esforço,
pode até ser calculada com uma
fórmula matemática, ao gosto dos engenheiros.

Saudade é dos poetas, é pautada em
rimas e melodias; vontade de ver
outra pessoa, segundo os poetas,
teria outro nome, seria uma saudade
com tempero, eu acho.

Lembrança pode ser sem som, pode não doer.
Saudade jamais é sem som.
Se ela não vier com música de fundo,
a gente coloca, só para ficar mais bonita,
mais gostosa de sentir, para preencher mais a alma vazia.

Lembrança vence a morte,
mas conforma-se com a ausência,
respeita convenções.
Lembrança aceita nosso comando,
vai e volta quando queremos.

Saudade é irreverente,
independente e auto suficiente.
(Solange Gouvêa)

Um comentário:

  1. Magnífico poema.
    Há gente que confunde mesmo a lembrança com a saudade.
    Tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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